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EVANGELISMO DE CRIANÇAS

Zelina M.R. da Paz
Tem este trabalho o objetivo de despertar, incentivar, mostrar aos  professores de escolas bíblica e aos missionários a necessidade de cumprir o imperativo divino, encontrado em João 21.15:

“Apascenta meus cordeiros”

Á - É - I - Ó – U
DO TRABALHO COM CRIANÇAS

Segundo o Dicionário Aurélio, Á - É - I - Ó - U, é a substantivação de a, e, i, o, u com que se designam as primeiras letras ou rudimentos de uma matéria.
Você se recorda de como veio a aprender a ler e escrever? Lembra quantas vezes escreveu as vogais em seu primeiro caderno?
Para deixar de ser analfabeto é necessário dominar, em primeiro lugar, os rudimentos da gramática, e, infelizmente, quantos ainda vivem em absoluta ignorância! No trabalho com as crianças existe, também, muita ignorância por não se conhecer as noções básicas para se obter resultados satisfatórios e eternos. Há muitos que são ANALFABETOS em trabalhos com crianças, fazendo tudo de maneira apenas superficial e sem qualidade.
Deseja conhecer e dominar esta matéria? Então escreva em sua mente e coração, até gravar bem, o Á-É-I-Ó-U do trabalho com crianças.

A - AMOR

http://1.bp.blogspot.com/_N6UVvu3mosU/SQnXDZtMexI/AAAAAAAADhY/zZtea-m6LyU/s320/ovelha.jpg“Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: APASCENTA OS MEUS CORDEIROS” (Jo 21.15)
Pedro que negara ao Senhor três vezes é questionado três vezes pelo Senhor: “Amas-me” e só ao responder: “Tu sabes que te amo” é que recebe a missão de apascentar, pastorear, tanto cordeiros como ovelhas.
Interessante neste texto é Jesus utilizar a palavra “cordeiro” que identifica os pequeninos de um rebanho de ovelhas, o que nos faz pensar que, também, as crianças precisam de cuidado pastoral. Sim, as crianças precisam ser apascentadas e não pajeadas.
Muitos trabalhos com crianças se resumem apenas em tomar conta dos pequenos para que não atrapalhem os grandes e os que estão à frente das crianças tios ou tias que pouco ou quase nada fazem par a formação espiritual das mesmas.
O que leva alguém a ser consciente de sua responsabilidade pastoral com as crianças é estar tomado de amor ao Senhor Jesus.
Só quem ama ao Senhor poderá amar também as crianças e dedicar-se a elas, pois o amor de Cristo nos constrange, julgado nós isto: Um morreu por todos, para que os que vivem não vivam para si mesmos, mas para aquEle que por eles morreu e ressuscitou” (II Co 5.14-15).
É preciso verificar que no Velho Testamento encontramos o mesmo princípio. Em Deuteronômio 6.4-9, antes da ordem para que os pais inculquem a Palavra de Deus em seus filhos, há o mandamento: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
Não haverá ministério eficaz com crianças sem um coração pleno de amor ao Senhor.

E - ESPERANÇA
“Que virá a ser, pois, este menino? (Lucas 1.66)
Quando estas palavras foram pronunciadas, por ocasião do nascimento de João Batista, o seu pai, Zacarias, tinha uma profunda convicção e esperança, chegando a afirmar: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo” (Lucas 1.76).
No Velho Testamento, no Salmo 78 versos 1 a 8, fica bem claro que ao falarmos às futuras gerações sobre o Senhor e a maravilha de seu Amor e sua Salvação, estas crianças confiarão ao Senhor e serão obedientes à sua vontade, escapando de virem a ser uma geração rebelde e infiel.
O trabalho com as crianças exige que se olhe para o futuro com a esperança que elas não serão escravas de Satanás, mas serão servos fiéis; que elas não estarão perdidas, mas salvas eternamente; pois, semearemos em seus corações a preciosa Palavra do Senhor que tem a garantia de não voltar para Ele vazia.
Não haverá ministério eficaz com as crianças sem esta esperança de que veremos os frutos de nosso trabalho, para a glória de Deus.

I - INVESTIMENTO

Então lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino, e o criou (Ex 2.9)
Quanto custa formar uma criança? Sem dúvida trabalhar com os pequeninos exige gastos, exige investimentos. Investimentos não só de dinheiro, de material, mas também de tempo.
Quanto trabalho com crianças é feito na base de improvisação e pode-se afirmar seguramente que é para as atividades que envolvem as crianças que nunca se conseguem as verbas necessárias. Embora se saiba que o trabalho com as crianças produz mais resultados do que o trabalho com jovens e adultos, chegando alguns a afirmar que dá um retorno de 90% contra 10%, investe-se apenas 10% nas crianças, quando se investe.

Não haverá ministério eficaz com as crianças sem assumir os devidos custos:
a) custos para melhor preparo de aulas;
b) custos para ter-se melhores materiais didáticos;
e) custos para se transmitir melhor o ensino da Palavra de Deus às crianças;
d) custos para se tornar uma influência amiga e marcante na formação da personalidade da criança.

O - ORAÇÃO

Levante-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama o teu coração como água perante o Senhor; levante a Ele as tuas mãos, pela vida de teus http://3.bp.blogspot.com/_DtruY1Z_OsE/SZnBcGzXkzI/AAAAAAAABVs/_CjX4aJhSEc/s320/Figura+-+Caixa+de+Ora%C3%A7%C3%A3o+(Colorida).JPGfilhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas (Lm 2.19).
Diante de um quadro terrível, quando o povo estava sendo levado para o cativeiro, levanta-se este desafio do profeta Jeremias: “Clama ao Senhor pela vida de teus filhinhos”
Mais do que nunca há necessidade de oração em favor das crianças. Nada poderá ser alcançado senão através da oração.
Aquele que trabalha com as crianças precisa aprender o segredo da oração por si mesmo, pelo seu preparo, que sua vida seja um exemplo e pala salvação das crianças e seu crescimento espiritual.
É imperioso reconhecer a verdade daquela afirmação de Agostinho: “É mais importante falar de Deus acerca das crianças, do que falar às crianças acerca de Deus!”
Não haverá ministério eficaz com as crianças sem a prática da oração.

U - URGÊNCIA

“Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai Celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.14).
É urgente ganhar as crianças para Cristo. Enquanto crianças elas são mais suscetíveis de serem evangelizadas, de reconhecerem seu pecado, de crerem na pessoa e obra de Jesus.
A medida que vão crescendo, que vão se adultizando, vão também endurecendo os seus corações e ficando cada vez mais marcadas pelos pecados.
Tem sido comprovado que os 85% dos que são cristãos, tomam esta importante decisão entre 15 e 30 anos; 4% após os 30 anos e 1% de 1 a 4 anos.
Esta estatística nos mostra como é urgente ganhar as crianças. Infelizmente muitos não crêem na evangelização das crianças e protelam a comunicação da mensagem.
Quantas crianças acabam sendo igrejadas e não evangelizadas!
Quem trabalha com as crianças deve ter como prioridade conduzí-las à salvação em Cristo, pois esta é a vontade de Deus.
Não haverá ministério eficaz com as crianças sem este sentimento de urgência quanto ganhá-las para Jesus.

Sim! Eis aí o Á-É-I-Ó-U do trabalho com as crianças, os rudimentos básicos para ter um trabalho frutífero.

2ª - PARTE: NOÇÕES DE PSICOLOGIA DENTRO
DE CADA FAIXA-ETÁRIA

http://2.bp.blogspot.com/_dVXRABrWVxk/SDHs2_475LI/AAAAAAAAA0Y/rTu_UG3mtbg/s320/iStock_000001921014XSmall.jpgPara ensinar crianças com eficiência e sucesso, o professor precisa conhecer as características, necessidades e interesses peculiares a cada faixa-etária. Ex.: O profeta Eliseu para ressuscitar um rapazinho desceu ao seu nível adaptando-se às suas medidas e dimensões, por certos pormenores como boca, olhos, mãos e corpo. Vejamos ai uma grande lição espiritual para ganharmos a infância para Jesus (Ver II Rs 4: 33,34). A Psicologia Educacional estuda as leis que governam o crescimento, desenvolvimento e comportamento do indivíduo. Estudaremos de forma resumida as características, as tendências, aspirações, predileções e interesse de cada grupo de idade até os juniores, e com isso também as necessidades de cada um deles, no seu relacionamento com o aprendizado. A divisão em grupo, que se segue, não significa precisamente a divisão psicológica, uma vez  que inúmeros educandos, ou melhor cada pessoa tem diferenças psíquicas. Além disso todos nós, sem exceção, somos imperfeitos, tudo sendo efeito do pecado. Mas contudo vejamos o que existe de comum em cada faixa de idade.

BERÇÁRIO E JARDIM DE INFÂNCIA (01-05 anos).

QUANTO AO DESENVOLVIMENTO
A - FÍSICO - Rápido crescimento, inquietação, movimento, sentimento de dependência. As quatros principais atividades da criança nessa idade são: Comer, dormir, brincar e perguntar. Os sentidos físicos funcionam com toda carga. Eles são nessa época de suprema importância na aprendizagem. O ensino ilustrado é de toda importância nessa fase. Crianças gostam de todo tipo de (trabalho) barulho, especialmente aqueles que resultam em ritmo. Por essa razão rimas e movimentos ritmados nos hinos, poesias e exercício de expressão agradam e impressionam o sistema nervoso e este transforma as sensações em movimento. Uma criança vive pelo sentimento, por isso fica quieta apenas por alguns instantes.

B - MENTAL - Aprendizagem pelos sentidos, curiosidade. Imaginação. Credulidade. A alma da criança é como massa de modelar, a forma que se der essa fica, o que for ensinado é aceito e crido sem discussão, o que não se dá com jovens e adultos. A visão é por mais ativa e a criança aprende mais pela visão do que por qualquer outro sentido. Há muita curiosidade. Muita criança tem adoecido pela curiosidade em experimentar coisas desconhecidas. Animais pequenos correm perigo perto de mãos infantis, vítimas de sua curiosidade... A imaginação é por demais fértil. Nesta idade a criança não distingue entre o real e o imaginário. É tanto, que flores, animais e figuras falam como se fossem gente. Devido a essa forte imaginação, elas inventam histórias as mais incríveis, sendo por isso tidas por mentirosas. Quanto à curiosidade, a criança normal parece mais um ponto de interrogação! Seu período de atenção não vai além de 3 minutos.

C - SOCIAL
A criança até os 5 anos é notadamente egoísta, vendo com isso a imitação. Ela é o centro do seu próprio mundo. Só pensa em termos de “eu”, tudo é meu. Se vai a uma loja de brinquedos quer tudo. Se vê outras crianças brincando quer tomar seus brinquedos. As vezes nem quer uma coisa mais não dar para ninguém. É teimosa e quer fazer aquilo que lhe vem à mente. São afetuosas. Gostam de música, canto. Sua tendência para imitar os outros influi no caráter, assim como a curiosidade influi no conhecimento. Essa é a época áurea da formação dos hábitos como oração, obediência, freqüência aos cultos, contribuição, reverencia na Casa do Senhor. Toda construção começa pelo alicerce, e aqui vemos o alicerce da vida. Passada esta fase não volta mais.

D – ESPIRITUAL
Credulidade e confiança tranqüila. A vida cristã no lar, num ambiente de oração e fé em Deus, fará a criança compreender a Deus como Pai nosso. A atividade dos sentidos ajudá-la-á a aprender as lições da natureza. A criança crê em tudo que lhe é direto. Deus dever ser apresentado como o Papai do céu.

OS PRIMÁRIOS (06-08 anos)

Palavra descritiva da idade:

ATIVIDADE

A – FÍSICO
Ativo e inquieto, mas melhor controlado. As características são as mesmas da idade de 04-05 anos, com ligeiras diferenças. O crescimento é mais lento. O ingresso na escola pública põe a criança sob disciplina e a expõe a alguns perigos. Começa a brincar em grupo, o egoísmo está diminuindo. As avalanches de energia precisam ser despendidas sobre orientação. Se o seu tempo não for ocupado, encontrará muito o que fazer.

B – MENTAL
Nessa idade, o aluno é observador e curioso. Prefere mais fazer do que prestar atenção. Tem memória sem igual. Aprende com facilidade sem entender o que memoriza. É preciso cuidado quanto ao ensino nesse particular. São impacientes. O que querem, querem agora! Começam a distinguir entre o real e o imaginário, entre fato e fantasia. As histórias e fatos contados ficam gravados. Dessas histórias, a criança obtém preciosas noções de honra, justiça, bondade, compaixão. As crianças nessa idade aprendem com facilidade mas é preciso explicação do material memorizado. Se isto não for feito, elas guardam a história na memória, mas esquecem a lição nela contida. É oportuno encher-lhe a memória com a Palavra de Deus, tanto com versículos apropriados como com ilustrações ou verdades bíblicas ilustradas, das quais Jesus tanto se serviu quando ensinava.

C – SOCIAIS
A imitação continua forte, bem como a tendência para representação. A criança nesta idade gosta do grupo, mas do mesmo sexo. Os meninos aborrecem qualquer associação com as meninas, quer nos brinquedos, quer nas ruas. Eles implicam com elas e as expulsam do meio. Na imitação o menino imita professores masculinos e as meninas, trabalho de mulher. Nesta idade a criança é muito sensível. Qualquer coisa que lhe digamos em tom áspero a magoará e não esquecerá com facilidade. Entretanto não guarda rancor.

D – ESPIRITUAL
Confia sem duvidar, a menos que sofra decepções. Uma criança facilmente confia em Deus. Nessa idade ela começa a comparar o certo e o errado, e é ágil, viva em descobrir as falhas dos adultos. Cuidado, pois com o exemplo. Se o professor não estiver devidamente preparado para a aula, a criança notará facilmente seus apertos. Deus deve ser apresentado como o Grande Amigo.

OS JUNIORES (09 - 11 anos)

Palavra descritiva da idade:
ENERGIA.

A – FÍSICO
Saúde e energia em excesso. Espírito de competição e investigação. Não há fadiga. As classes dever ser separadas. Porque o que interessa a meninas, não interessa a meninos. Gostam do ar livre e excursões. Gostam de coisas arriscadas, como subir em árvores, rochedos e equilibrismo. O instinto de coleção aumenta mais. Agora é selos, moedas, figuras, revistas infantis etc. O espírito de competição muitas vezes termina em lutas, gostam de parecerem fortes. Deus deve ser apresentado como Deus forte e amoroso

B – MENTAL
Sede pelo começo das dúvidas. A criança passa a investigar o porquê das coisas. A memória continua ativa. O que for agora memorizado ficará retido e acompanhará o aluno pelo resto da vida. A criança lê muito nesta idade. É época de por em suas mãos a literatura ideal, porém graduado. Quase todas as crianças dessa idade acham tolas todas as idéias dos adultos. Esta é a época para fixar hábitos e costumes corretos como: Ler a Bíblia , localização de passagens, freqüência aos cultos, estudos da lição da Escola Dominical, graças pelo alimento, etc.

C – SOCIAL
Interesse no grupo, associações, organizações. O menino quer ser importante, acham que as meninas não deviam existir. O sentimento de lealdade é muito forte. Necessitam grandemente de tratamento simpático. O espírito de grupo deve ser orientado e guiado em vez de sufocado ou criticado. Esta é a idade ideal para a orientação sexual, porém deve ser ministrado pelos pais.


D – ESPIRITUAL
Sendo crente nessa idade a criança gosta muito de adorar a Deus. Ama a Jesus como Salvador. Amigo e Herói. É época da plasticidade espiritual.
 
Comentários (1)
Crianças
1 Sáb, 06 de Fevereiro de 2010 10:55
Célia Judite
Gostaria de saber se Lurdinha sai para ministrar em outras cidades cursos para professores de ministério infantil.
Como faço para entrar em contato direto com ela.
Abçs
Célia
Coordenadora do Mini Kids Igreja Biblica em Guaratinguetá-SP

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